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Enfermeiros protestam contra liminar que proíbe a categoria de solicitar ou realizar exames

BOM JESUS DO GALHO – Em atenção à liminar que proíbe o profissional de enfermagem solicitar exames no contexto da Atenção Básica e interpretar seus resultados, a Secretaria Municipal de Saúde suspendeu a realização dessas atividades por seus enfermeiros. Isso inclui a coleta de preventivo, solicitação de mamografia, exames laboratoriais de pré-natal e testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites.

Segundo a coordenadora de Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde, a enfermeira Gianne Sandra Soares Ferreira, a proibição traz prejuízos incalculáveis para toda a população, principalmente para as mulheres. “Trata-se de uma ação desrespeitosa para com os enfermeiros, que estão aptos a desenvolver essas tarefas, para com a comunidade e, acima de tudo, é uma afronta à ala feminina, que responde pela maior demanda por esses exames”.

Gianne observa que, com a proibição, os exames de pré-natal poderão ser retardados, por não poder ser iniciados por um enfermeiro, mesmo que o resultado seja positivo para gravidez. “Em pleno Outubro Rosa, estamos proibidas de solicitar mamografias, fazer exames citopatológicos, o Papanicolau”, comenta Gianne. Ela observa ainda outros prejuízos para a saúde pública com o atraso na realização de testes rápidos de HIV, dentre outras doenças.

A coordenadora explicou que muitos casos de câncer, como de mama, foram detectados no município graças a exames realizados pelas enfermeiras da atenção básica, o que facilitou o seu tratamento e cura. “Agora, a população está diante de um grande drama. Só neste ano, fizemos 461 exames preventivos. Com a liminar, essa atribuição passa a ser exclusiva dos médicos, que permanecem por um tempo bem menor, em relação aos profissionais de enfermagem, e não têm como atender a grande demanda do município. Então, a tendência é que esses atendimentos venham a cair significativamente”, prevê Gianne.

Indagada sobre a possibilidade de a equipe de enfermagem continuar a fazer os preventivos e apenas deixar que os médicos assinem se responsabilizando pelo trabalho, Gianne é enfática. “Segundo nosso código de ética, em seu artigo 42, não podemos realizar qualquer procedimento e deixar que outro profissional assine como responsável por essa ação”.

Ainda conforme a coordenadora, quem decidir recorrer a atendimentos particulares para fazer seu preventivo, vai precisar desembolsar, em média, entre 250 e 350 reais.

A fim de reverter a situação, Gianne vem mobilizando a comunidade por meio do Outubro rosa de mãos atadas. Nosso objetivo principal com essa iniciativa é motivar as pessoas a fim de que entrem em contato com a ouvidoria do SUS pelo 0800 647 0031e se posicionem contrários à normativa.

Durante essa campanha, mantemos as atividades de orientação às mulheres sobre a importância de se fazer o preventivo, a mamografia. Estamos de mãos atadas, mas ainda estamos livres para levar à população orientações importantes como essa, de prevenção, de vida para todas”, finalizou a coordenadora, que tem contato com o apoio da Prefeitura Municipal, por meio de sua Secretaria de Saúde.