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SEMPRE CRIANÇAS

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 37 anos de literatura neste ano de 2017. Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br – http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Em artigo quase recente, eu dizia, em falando de filhos, netos, de crianças, enfim, que uma casa com crianças é mais lar. Uma amiga, também escritora, leu o artigo e comentou que não concordava. Ela acha que uma casa sem crianças pode, sim, ser um lar completo. Eu acho ótimo que o tema abordado seja debatido, porque nossas verdades são diferentes, a verdade de um não é necessariamente a verdade do outro e comparar nossas verdades é bom.

Então eu concordo, até porque as situações são diferentes. Os filhos da minha amiga transitam pela casa dela com certa frequencia, o neto também vem lhe visitar, e isso faz toda a diferença, o lar contiua não sendo só dela. É da família.

É bom esclarecer que o fato de não termos mais nossas crianças vivendo em nossa casa não nos faz pessoas trites, absolutamente. Somos felizes, mesmo na nossa casa tão grande, agora. O que nos faz falta talvez não seja, simplesmente, a presença de crianças, mas das nossas crianças.

A verdade é que, queiramos ou não, a época mais feliz de nossas vidas foi aquela quando  vivemos a infância e a juventude de nossas crianças. Sentimos falta daquele tempo, sentimos falta da infância das nossas crianças, que continuam sendo crianças para nós, mesmo que agora sejam adultas e vivam suas vidas bem longe, além mar, em França e Portugal. Depois dessas infâncias em nossas vidas, nós, eu e Stela, não nos somos mais suficientes, pois tudo nos faz lembrar que a família não está completa, as crianças não estão, por isso a casa parece tão grande. Mas esperamos os netos. Eles hão de nos devolver toda aquela infância e toda aquela juventude que alçaram voo de nossa casa para encontrarem seus caminhos e nos deixaram tanta saudade.

Mas ter saudades é bom. Saudade significa felicidade, uma ou duas ou tantas felicidades que passaram pela nossa vida e que podemos recriar. O privilégio de ter nossas crianças significa isso, além de tudo o mais que eles significam para nós: felicidades que estão guardadas e que podemos rememorar.

Então, crianças, feliz dia da criança para vocês. Feliz dia da Criança para nós. Para todos nós, pois o fato de ter nossas crianças é tudo. E criança pode ser tudo o que quisermos e até o que não quisermos, mas que ela significa felicidade, isso não podemos negar. Porque criança é vida, é esperança, é renascimento. Criança é  a nossa primavera.

Na verdade, poderíamos, sim, ser pais deprimidos e tristes, pois temos uma saudade vitalícia, antiga, de nossa primeira criança que chegou, mas foi embora muito rapidamente, num dia de outubro em que as flores de jacatirão começaram a desabrochar, há muitas primaveras. Mas a vida continuou e sabemos que nosso anjo primeiro nos guardou e ajudou-nos a cuidar de nossas crianças que chegaram depois e que nos dão muito amor, muito orgulho, estando já na vida adulta, ainda que para nós sejam apenas e principalmente, abençoadamente, nossas crianças.

Ficaram as digitais

A Operação Lava-Jato atingiu uma dimensão tão grande que o brasileiro comum, como eu, não sabe mais separar quais são as suas ações de outras operações da Polícia Federal e até de outras polícias. As ramificações perderam saiu do controle da compreensão humana.

Fica a única certeza de que a corrupção tem de sofrer um golpe, cujo tamanho depende exclusivamente do apoio que a sociedade der às instituições de investigação, especialmente à FBI brasileira, à Polícia Federal e ao Ministério Público, sem a ilusão de que nelas não existam suas ovelhas podres. Contudo, sem aderir, e até repelir, àqueles que as criticam apenas para miná-las e colocá-las no mesmo balaio dos já apodrecidos Executivo, Legislativo e ao quase apodrecido Poder Judiciário.

Mas, toda putrefação não surge como raios. Há uma construção subjetiva em etapas que leva até a esse estágio. Um deles é o descaramento como as justificativas de ações injustificadas aceitas pelo Poder Judiciário. Também ajudaram muito a indústria da prescrição, a pouca informação sobre decisões judiciais, sustentadas muito mais em linguagens ininteligíveis do que em fundamentos fáticos e jurídicos.

Esse vício assegurou a impunidade absoluta por muito tempo. Quando surgiam denúncias de corrupção, desvios, arquivos físicos sempre torravam literalmente no fogo. Testemunhas pessoais não reconheciam os investigados; não reconheciam as suas próprias assinaturas e vozes; as imagens eram sempre distorcidas, embaçadas. Quando nada disso superava a nitidez, era só alegar que as provas tinham sido obtidas por meios ilegais.

Atualmente, a desfaçatez dos defensores se sustenta na pressão psicológica sofrida pelos delatores, no fato de a corrupção ser uma prática generalizada e nos erros passados dos investigadores, sem nenhum elo de ligação – para usar juridiquês – com os atos da investigação. Isso, sempre pelo lado do defensor, também sustentado noutra distorção criada pela falta de seriedade de julgadores: buscar a impunidade em vez da defesa. Impunidade é não punir quem deveria ser punido; defesa é não deixar sofrer uma pena maior daquela merecida pelo delito praticado. Isso funciona porque a Justiça brasileira disfarça, mas aceita a enganação como regra.

No caso do apartamento lotado de dinheiros, ficaram as digitais de um ex-ministro. O dono desse imóvel confirma ter cedido para ele. Com esses indícios consistentes, a imprensa não questiona a não decretação de prisão preventiva, a soltura sem tornozeleira eletrônica, porque não conseguiram uma num país de mais de 207 milhões de pessoas.

Coroa as tantas incompreensões da sociedade, a presteza da Polícia Federal ter buscado digitais, quando a embarcação que matou 19 pessoas na Bahia e deixou centenas de feridos sequer passou por perícia.

Não será surpresa se provarem a existência de digitais iguais, desfazendo-se a tese científica e secular que afirma o contrário. Ou de que foram falsificadas por algum investigador mal-intencionado.

Por ter sido tão comum nos últimos tempos, o “avesso do avesso” seria não ter aparecido, ainda, algum ministro do Supremo Tribunal Federal desferindo adjetivos depreciativos contra a Polícia e o Ministério Público Federais.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP

Bacharel em direito

ABSURDA VIOLÊNCIA

Margarida Drumond de Assis

É mesmo de causar terror à população brasileira o crescimento da violência que vem se dando em todo o país. Em locais onde antes se ouvia dizer sobre assaltos que ocorriam à noite, hoje é comum ver-se reportagens dando conta de que os bandidos ali estão agindo até mesmo de dia, sem qualquer constrangimento. E o que dizer então de regiões, aonde a violência vem num crescendo, como a que temos visto, ultimamente, no Rio de Janeiro? Os tiroteios que  acontecem na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, são prova inconteste dessa grave situação.

Tudo começou no domingo/17 deste mês de setembro, quando dois criminosos de uma mesma facção, até o ano 2000 aliados, passaram a caçar um ao outro e integrantes, no intuito de trazer para si o domínio do tráfico na favela da Rocinha: um tiroteio iniciado e que vai chegando ao décimo dia. O país acompanha incrédulo a esse terror, e o pânico já se instalou naquela capital: pessoas têm evitado sair de suas casas; crianças nem à escola estão indo; os campos de futebol também deram mostra do impacto dessa violência com a diminuição do público assistindo aos jogos.Estranho é que nem com a presença da polícia e das Forças Armadas, ali atuando para combater traficantes de drogas fortemente armados, o tiroteio cessou. E mil homens de tropas federais ocuparam a comunidade, no que repercutiu em mais tiroteio na Rocinha. Eram embates entre os criminosos de facções, a de Rogério Avelino, o Rogério 157, e a de Antônio Bonfim Lopes, o Nem, e também entre os que compõem uma mesma facção. Como se diz, é tiro pra todo lado! Com isto, o pavor vivido pelos moradores da Rocinha e dos da cidade como um todo, pauta-se, e muito, no fato de os bandidos terem armas potentes, como fuzis e granadas. Além do mais, sabe-se que a eles a vida pouco ou nada importa. A Polícia civil do Rio, conforme divulgado, logo registrou a morte de três homens, todos eles envolvidos no crime, além de um adolescente de treze anos baleado. Dentre os homens, dois seriam de uma organização criminosa, enquanto o outro teria roubado um carro naquela favela. Também se registrou apreensão de nove fuzis e dez granadas, enquanto mais de vinte mandados de prisão saíram, sendo cinco efetivadas, e hoje muito mais se constata estando dezenas de traficantes envolvidos nos tiroteios, mais apreensões feitas enquanto outros vão sendo indiciados.

Nada fáceis os tempos que vivemos e, para aflição geral, piores vêm se tornando dia a dia: de um lado, a morte literalmente falando, por armamentos pesados e assaltos, com os bandidos agindo indiferentes até mesmo às câmeras de segurança; de outro a morte de sonhos de tantos brasileiros, à mercê de inescrupulosos governantes que nos tiram o direito à segurança, à saúde, à educação. Só na Rocinha, nestes dias, mais de 3 mil crianças estão sem poder ir às aulas. A comunidade vive em dificuldades, tenta se manter com seus vencimentos, muitas vezes parcos, para cobrir as despesas diárias; já os traficantes, estes, não, vivem ancorados na garantia de que têm quem lhes compre a droga, convictos então de altos rendimentos. Daí, sem dúvida, o poderio que ostentam com suas casas luxuosas e armas muitas vezes de uso restrito das forças de segurança. E nos perguntamos até quando essa absurda violência?

Brasília, 26 de setembro de 2017

Margarida Drumond é professora, jornalista e escritora, 40 anos de literatura, 16 livros editados: o primeiro deles o romance Um conflito no amor. Próximos lançamentos: o romance Doce complicação e a biografia sobre Padre Abdala Jorge, ambos sendo vendidos em pré-edição. Adquira já o seu exemplar.

Contato; Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. www.margaridadrumond.com

 

 

 

Drogas, novelas, e um país corrupto

- O que significa hoje viver no Brasil quando se tem um filho ou uma filha adolescente? -

Autor: Fernando Rizzolo

O que significa hoje viver no Brasil quando se tem um filho ou uma filha adolescente?  É claro que não estou generalizando, mas num país de 207 milhões de habitantes, onde na sua grande maioria são jovens, fica patente que o investimento do narcotráfico é no mínimo interessante. Talvez isso seja o motivo pelo qual as antigas e conhecidas drogas estão dando lugar as novas drogas sintéticas, muitas das quais nem sequer podem ser identificadas por mudança na sua formulação química, na sua maioria elaboradas em sofisticados laboratórios clandestinos por vários países do mundo.

Mas como o assunto é polêmico, e na maioria das vezes gera controvérsias, venho fazer uso de um saudosismo etário; dizem que uma das vantagens de se chegar à maturidade é a capacidade de se analisar e comparar como era a vida de um jovem há 40 anos atrás em relação aos jovens de hoje desse nosso Brasil. Constato aqui, e nada de forma puritana ou conservadora, que a velha figura do “pipoqueiro” que vendia maconha na praia e que seduzia os jovens, ficou por demais abandonada e hoje serve apenas como uma antiga referência dos perigos que nós nos anos 70 éramos incessantemente alertados por nossos pais por jamais nos aproximarmos desses tais elementos.

Ademais, por falar em maus elementos ou companhias que deveríamos evitar, existia uma vigilância parental naquilo que fazíamos, nas nossas amizades, no horário em que chegávamos em casa, se havíamos ingerido bebidas alcoólicas, enfim, havia o que eu chamo de “ Filtro Parental” e este estava sempre presente. Mas hoje tudo mudou, senão vejamos: infelizmente as novelas, o programa de televisão em geral não tem limite ao demonstrar o “heroísmo dos delinquentes” nas novelas, os excessos sexuais na “telinha, enfim, os maus exemplos de todos os tipos se encontram bem ali na sala da nossa casa, assistidos por todos na televisão, ou bem acomodados num computador via Internet, isso se intercalando com os noticiários sobre a corrupção devastadora que assola o nosso país, um país pobre.

Hoje não há no Brasil como controlar e educar um jovem a não ser por um embasamento religioso seja ele de qualquer religião, contudo que esta religião não atente para o mau, pois até isso temos hoje à disposição dos nossos jovens, via Internet, o recrutamento ao terrorismo. Em resumo, temos sim que reinventar um modelo de educação familiar baseado no “Filtro Parental” pois do contrário os valores morais, éticos, e relacionados a uma vida saudável para os nossos filhos e netos estarão fortemente corrompidos e comprometidos, a tarefa não é fácil, valores de tradição religiosa, vigilância nas companhias, exemplos que demonstramos em casa, isso tudo ajuda, mas não esqueça que você durante um bom tempo será taxado de chato, repressor, antiquado, principalmente por emissários, ou “ experts em educação” pela televisão ou Internet; e se você proibir ou num rompante educativo impor ordens em casa será chamado ainda de “tirano” mas veja, vale apena, o futuro deles agradece ...vamos tentar filtrar o Brasil nessa fase do terrorismo ideológico educacional televisivo....e da corrupção endêmica...

Fernando Rizzolo é Advogado, Jornalista, Mestre em Direitos Fundamentais e Professor de Direito

Cinco dicas para melhorar a qualidade de vida da melhor idade

Muitos idosos fazem questão de manter sua independência, mas alguns cuidados sempre devem ser tomados com relação, por exemplo, ao local em que vivem, para que estejam seguros. A roupa que vestem também deve ser adequada para garantir conforto e praticidade no dia a dia. Além disso, a rotina de vida deve ser feita de uma maneira que eles estejam sempre com a mente ativa e se tornem independentes.

Visando melhorar a qualidade de vida da melhor idade, a cuidadora Silvia Camila, franqueada da maior rede de cuidadores de idosos do Brasil - a Home Angels, dá algumas dicas práticas de como cuidar dos idosos de maneira segura e acolhedora.

Residência do idoso

O ambiente em que o idoso passa a maior parte de seu tempo deve ser planejado ou estruturado para recebê-lo. Então,  o primeiro passo é retirar fios e tapetes soltos pela casa. Vale lembrar que cortinas, brinquedos de crianças, bichos de estimação, móveis baixos e tudo aquilo que tem potencial para influenciar em uma queda requerem atenção especial. Caso não consiga retirar, repense na forma como estão dispostos. As áreas molhadas da casa, como o banheiro e cozinha, são locais de sinal vermelho, onde tudo deve estar ao alcance da mão, nem acima, que precise de grandes movimentos para pegar e nem abaixo, que precise abaixar, essas mudanças de posição podem ocasionar quedas. Vale lembrar que a barra ao lado do vaso sanitário, dentro do box, além do tapete anti derrapante, aumento do assento do vaso são sempre bem vindos.

Vestimenta do idoso

A roupa do idoso deve ser cuidadosamente pensada. Antes de qualquer coisa, precisa ser confortável e fácil de vestir. Observe o idoso que você tem em casa se vestindo: onde está a maior dificuldade? Em colocar as roupas nos membros inferiores ou nos superiores? Ziperes ou botões? Mangas curtas ou compridas? Sapatos de enfiar ou amarrar? Não é sair alterando o guarda roupa do idoso e alterando os seus costumes, mas sim adaptar o que é possível. Se o idoso sempre gostou de camisas sociais, você pode adaptá-las com velcro. Se estiver difícil colocar calça jeans você pode ajudá-lo. Priorize calças com elástico, camisas e sapatos de enfiar, nada de usar chinelos com meias ou roupas muito compridas.

Cognição

Manter uma mente ativa é o objetivo de todos nós, não apenas dos idosos. Mas, com idosos essa preocupação é ainda mais expressiva. Independente do curso da vida, se em paralelo há patologias ou não, é importante ofertar estímulos bons e diários a esse idoso. Comece deixando com que faça aquilo que tem habilidade, pode ser escovar os dentes, comer sozinho ou se calçar. Lembre-o de anotar suas atividades e compromissos em uma agenda ou quadro branco de fácil visualização. Deixe os moveis e objetos sempre no mesmo local, para favorecer o reconhecimento do ambiente. Deixe o idoso ser autônomo e escolher aquilo que convém, como o que quer comer, onde ir, quando ir, o que vestir. Além de estimulá-lo e buscar novas habilidades que envolvam ações de pensar e realizar, pode ser um curso de pintura, um novo exercício ou até mesmo um jogo.

Acompanhamento profissional

Todos nós precisamos de um check up com frequência. Checar como anda a saúde e o que pode ser melhorado ou tratado é um dos benefícios da saúde hoje em dia. Antigamente não se tinha acesso fácil a médicos. Então, é indispensável que esse idoso mantenha com regularidade o acompanhamento com um médico geriatra, que será o profissional que fará a regulação, de maneira geral, dos remédios utilizados e alinhará as necessidades em relação à saúde e outros profissionais. Também é importante manter avaliações frequentes sobre a parte motora e isso envolve  o fisioterapeuta, pois a independência começa a partir do momento que se consegue realizar os movimentos sozinho. Podem fazer parte dessa equipe o Terapeuta ocupacional com as adaptações do cotidiano e com a parte de cognição, o psicólogo com o acompanhamento emocional. O importante é ter a saúde em dia.

Acolhimento

Não adianta ter uma estrutura física no ambiente que favoreça o idoso, ter roupas adequadas, manter o cérebro ativo, acompanhamento profissional, se a presença de pessoas o cercando não for real. As famílias precisam trabalhar, é uma imposição do mundo em que vivemos, mas dedicar minutos do seu dia e horas do seu final de semana para aquele café na padaria com o idoso ou o passeio no carro dele pelas ruas da cidade faz total diferença para ele e certamente fará a você. Escute histórias, busque-o para ter mais conhecimento sobre a vida, sabedoria de vida. Vamos correr para a casa do idoso para aquele papinho gostoso?

Quer saber mais sobre a Home Angels, a maior rede de cuidadores de idosos do Brasil, acesse: http://homeangels.com.br/.

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