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Temer assume agenda das multinacionais do petróleo e desgraça o Brasil

Escrito por  Felipe Coutinho

O presidente da AEPET, Felipe Coutinho, mostra, com fatos e dados, para quem trabalha o governo Temer

Desde que Temer ascendeu ao poder, o governo assumiu a agenda das multinacionais do petróleo e de seus controladores. Trata-se da agenda do sistema financeiro internacional e dos países estrangeiros que controlam as multinacionais, privadas e estatais.

Mas o que exatamente desejam as multinacionais e seus controladores? Querem a propriedade do petróleo brasileiro, ao menor custo possível, com total liberdade para exportá-lo. Querem acesso privilegiado ao mercado brasileiro. Querem comprar os ativos da Petrobras a preço de banana. Querem garantir a segurança energética dos seus países, no caso das estatais. Querem maximizar o lucro no curto prazo, no caso das privadas.

Então vamos a agenda. A prioridade dos entreguistas e dos agentes estrangeiros é proporcional aos benefícios da consecução de cada objetivo. A cronologia das metas é importante porque tem influência no resultado agregado cobiçado.

1- Fim da liderança da Petrobras como operadora única no pré-sal

O senador José Serra (PSDB-SP) apresentou o projeto de lei PLS 131-2015 para alterar a Lei 12.351 de 2010, conhecida como a lei da partilha do pré-sal, que estabelecia a participação mínima de 30% da Petrobras no consórcio de exploração do pré-sal e a obrigatoriedade de que ela fosse responsável pela “condução e execução, direta ou indireta, de todas as atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento, produção e desativação das instalações de exploração e produção”.

O projeto recebeu emenda do Senador Romero Jucá (PMDB-RO) e foi aprovado assim que o governo Temer assumiu o executivo.

Assim as multinacionais ganharam acesso a maiores frações da renda petroleira. Através do controle sobre a velocidade da produção, e da possível extração predatória, do petróleo do pré-sal. Com a possibilidade de fraudar a medição da vazão do petróleo produzido e reduzir a fração partilhada com a União. Com gestão do empreendimento, da operação e dos respectivos custos para redução da fração de “petróleo lucro” partilhada com a União. Além de definir a origem das tecnologias e dos fornecedores de bens e serviços. (AEPET, 2015)

2- Privatização dos ativos e desintegração da Petrobras

A atual direção da Petrobras transformou lucros em prejuízos com a desvalorização de seus ativos, preparando o caminho para as privatizações e desintegração da companhia; interrompeu uma série histórica de 22 anos de reposição de reservas (aumento de reservas superior à produção); entregou o mercado de combustíveis aos concorrentes, por meio da política de preços, ao possibilitar o aumento das importações em 41% em um ano, onerando as contas do país e operando nossas refinarias a 77% da capacidade, contra 98% em 2013.

(AEPET, 2017)

As multinacionais se beneficiam pelo acesso ao petróleo brasileiro, sem os riscos que já foram assumidos pela Petrobras. Também se apropriam da infraestrutura levantada pela estatal e do mercado brasileiro que além de grande tem potencial de crescimento.

Para viabilizar os interessas privados e estrangeiros foi construído o “mito da Petrobras quebrada”. Quem pensa que a Petrobras está falida, que a produção do pré-sal é lenta, que o pré-sal é um mico e não tem valor ou que a exportação de petróleo por multinacionais pode desenvolver o Brasil, está sendo enganado. É vítima da ignorância promovida pelos empresários da comunicação, políticos e executivos à serviço das multinacionais do petróleo e dos bancos. (Coutinho, A construção da ignorancia sobre a Petrobrás, 2017) (Oliveira & Coutinho, 2017)

3- Renovação dos subsídios à importação do REPETRO

Por meio do Decreto nº 9.128, de 17 de agosto de 2017, foi prorrogado o prazo de suspensão dos tributos até 31 de dezembro de 2040 prevista no inciso I do art. 376, nos casos dos bens destinados às atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e de gás natural, cuja permanência no País seja de natureza temporária e que estejam na relação elaborada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB). Cabe destacar que a extensão do prazo também se aplica no caso dos bens destinados às atividades de transporte, movimentação, transferência, armazenamento ou regaseificação de gás natural liquefeito relacionados pela SRFB. (Oliveira J. , 2017)

4- Redução das metas do conteúdo nacional

A política de conteúdo local, praticada pela Petrobrás para desenvolver a indústria nacional, foi duramente atingida pelo corte substancial dos índices nas atividades de exploração e produção de petróleo e, pior, dando a entender que isto é bom para o Brasil. Na prática, esta decisão sinaliza o fim do conteúdo local.

Segundo o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, "Estão querendo trocar um modelo bem-sucedido, inspirado pela Noruega, por um desastre econômico e social, cujo símbolo entre estudiosos é a Nigéria... Embora este país esteja entre os maiores produtores de petróleo do mundo, 70% da sua população vive abaixo da linha de pobreza e a taxa de desemprego é superior a 20%. Este país é um barril de pólvora. É o que acontecerá conosco, se a Petrobrás deixar de cumprir o seu papel histórico, o de âncora do nosso desenvolvimento industrial." (AEPET, 2017)

5- Aceleração dos leilões de privatização do petróleo

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a realização de 10 Rodadas de Licitações de áreas para petróleo e gás natural no período de 2017 a 2019: Foi aprovado o calendário plurianual, até então inédito no Brasil, de rodadas de licitações de blocos exploratórios, concessão e partilha, e de campos terrestres maduros. Entre elas:

A 2ª Rodada de Partilha com áreas unitizáveis do pré-sal e a 3ª Rodada de Partilha, realizadas em 27/10/17.

4ª Rodada de Partilha, prevista para maio de 2018. Deverão ser avaliados os prospectos de Saturno, Três Marias e Uirapuru, na Bacia de Santos, e os blocos exploratórios C-M-537, C-M-655, C-M-657 e C-M-709, situados na Bacia de Campos;

5ª Rodada de Partilha, prevista para o segundo semestre de 2019. Deverão ser avaliados os prospectos de Aram, Sudeste de Lula, Sul e Sudoeste de Júpiter e Bumerangue, todos na Bacia de Santos;

Além dos leilões na modalidade da concessão em águas profundas e terrestres.

São medidas de caráter neocolonial que colocam o Brasil em novo ciclo primário exportador por meio das multinacionais estrangeiras do petróleo (privadas e estatais). (Coutinho, A energia e o desenvolvimento soberano em 10 lições, 2017)

6- Apropriação do petróleo excedente da Cessão Onerosa

A Cessão Onerosa é um contrato celebrado entre a Petrobrás e a União, conforme estabelecido na Lei Nº 12.276/2010, através do qual a empresa adquiriu o direito de produzir um volume total de 5 bilhões de barris de petróleo equivalente a partir de seis áreas onde a estatal já havia conduzido estudos exploratórios.

A Lei da Partilha (Lei Nº 12.351/2010) também previa em 2014 a possibilidade de contratação direta da Petrobrás nos casos de interesse estratégico nacional. Utilizando-se deste recurso, na 28a Reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), presidida pela ex-presidente Dilma Roussef em 24 de junho de 2014, aprovou-se a contratação direta da Petrobrás para a produção em regime de partilha do volume de petróleo equivalente recuperável, excedente ao volume contratado sob o regime de Cessão Onerosa.

O caráter estratégico da contratação da Petrobras para a produção do excedente da Cessão Onerosa (9,8 a 15,2 bilhões de barris) em regime de partilha com a União foi comentado pela então presidente da estatal, Maria das Graças Silva Foster em apresentação para analistas divulgada em 27 de junho de 2014. Ela destacou a importância da produção do excedente para a Petrobras para: repor a produção acumulada de seis anos no período de 2020-2030 (reposição de 1,6 a 1,8 bilhão de boe/ano); assegurar de forma antecipada um volume potencial com baixo risco exploratório; permitir maior seletividade nas futuras licitações de áreas exploratórias; economizar em custos de descoberta (deixar de gastar para descobrir e delimitar volumes equivalentes). (Laier & Marinho, 2017)

As multinacionais pretendem que o governo Temer anule a decisão do CNPE pela contratação direta da Petrobras para operação e produção do excedente da Cessão Onerosa pelo regime de partilha. Cobiçam se apropriar desse petróleo, sem riscos, por meio dos leilões de privatização.

7- Redução dos impostos sobre a renda petroleira

A Medida Provisória 795/2017 determina a redução de tributos de empresas envolvidas nas atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural.

Somente para 2018, a previsão de renúncia de receita, decorrente desses incentivos fiscais, é de cerca de R$ 16,4 bilhões, conforme relatório elaborado pela assessoria legislativa da Câmara dos Deputados. (Rede Brasil Atual, 2017)

A Nota Técnica do Consultor Legislativo, Paulo César Lima, informa:

“... a base de cálculo da CSLL e para determinação do IRPJ será reduzida de US$ 23,2 para US$ 1,2 por barril. Assim, esses tributos gerarão uma receita de apenas US$ 0,408, em vez de US$ 7,888 por barril, o que representa uma perda de arrecadação de US$ 7,48 por barril. ”

“A renda do Estado na produção de cada barril de petróleo a US$ 60 é reduzida de US$ 22,69 para US$ 15,208 por barril, o que representa uma participação governamental total de apenas 40%”.

“Estima-se que apenas o campo de Libra tenha volumes recuperáveis de petróleo equivalente acima de 10 bilhões de barris. Aprovada a MPV nº 795/2017, estendidos seus efeitos e admitida uma perda de arrecadação de IRPJ e de CSLL de US$ 7,48 por barril, a redução de receita tributária seria de US$ 74,8 bilhões apenas no campo de Libra. ”

“Nos vários campos do Pré-Sal, a redução de receita tributária de IRPJ e CSLL poderia ser superior a R$ 1 trilhão. ” (Lima, 2017)

8- Privatização do petróleo da Cessão Onerosa

A Cessão Onerosa é um contrato celebrado entre a Petrobrás e a União, conforme estabelecido na Lei Nº 12.276/2010, através do qual a empresa adquiriu o direito de produzir um volume total de 5 bilhões de barris de petróleo equivalente a partir de seis áreas onde a estatal já havia conduzido estudos exploratórios: Florim (Itapu*), Franco (Búzios*), Sul de Guará (Sul de Sapinhoá*), Entorno de Iara (Norte e Sul de Berbigão-Norte e Sul de Sururu-Atapu*), Sul de Lula (Sul de Tupi*), e Nordeste de Tupi (Sépia*). Dentre estes, destaca-se o campo de Búzios, maior super gigante do Pré-Sal, contendo um volume de óleo in place (VOIP) de 29,8 bilhões de barris e um volume de gás associado de 641,1 bilhões de m3 (Ref.: BAR 2015 in Sumário Exploratório ANP de Búzios). Por este direito, a Petrobras pagou à União o montante total de R$ 75 bilhões (US$ 42 bilhões). Através da Cessão Onerosa, a União aumentou sua participação acionária na estatal. (Laier & Marinho, 2017)

O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) apresentou o Projeto de Lei 8939/2017 que autoriza a Petrobras a vender até 70% dos 5 bilhões de barris de petróleo adquiridos no regime de Cessão Onerosa em 2010. (Aleluia, 2017)

A imprensa repercute que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pretende dar prioridade para o projeto do deputado José Carlos Aleluia. (Jornal Valor, 2017)

9- Abertura do mercado de trabalho para estrangeiros

Segundo a nota de repúdio da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fiseng):

“O governo federal anunciou o envio de um projeto de lei, ao Congresso Nacional, com o objetivo de flexibilizar a regulamentação profissional de engenheiros estrangeiros. Isso significa que, mesmo diante de um trágico cenário de desemprego na engenharia brasileira, o governo irá privilegiar profissionais de outros países. Esta é uma medida entreguista que aprofunda a desnacionalização da economia e o desmonte da engenharia e da soberania”. (Jornal GGN, 2017)

10- Desvio da obrigação contratual do investimento em Pesquisa e Desenvolvimento e Inovação (PD&I) no Brasil

A obrigação de investimentos em PD&I das empresas petrolíferas faz parte de cláusula específica dos contratos para exploração, desenvolvimento e produção.

A cláusula de PD&I estabelece a aplicação de percentual da receita bruta da produção, segundo condições específicas de cada modalidade de contrato.

Para contratos de concessão, essa obrigação de PD&I é constituída nos casos em que há o recolhimento de Participação Especial, ou seja, para campos de elevada produtividade ou rentabilidade, e equivale a 1% da receita bruta da produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos. Para os contratos de partilha de produção e cessão onerosa, a obrigação de PD&I é constituída a partir de qualquer volume de produção, sendo equivalente a 1% da receita bruta anual no caso da partilha e 0,5% no caso da cessão onerosa.

Os valores gerados podem ser investidos em projetos executados pela própria empresa petrolífera, por empresas fornecedoras brasileiras e por instituições credenciadas de todo o país.

No período de 1998 até o início de 2017, o valor total acumulado para investimentos em PD&I foi de mais de R$ 12 bilhões. Desse montante, a Petrobras foi responsável por R$ 11,5 bilhões e as demais empresas petrolíferas por R$ 775 milhões. (ANP, 2017)

Com o aumento da produção das multinacionais, elas, provavelmente, irão buscar artifícios para reduzir o compromisso de investir em PD&I no Brasil. Uma das alternativas é destinar os recursos para a contratação de serviços técnicos necessários às suas atividades e classifica-los como investimentos dedutíveis como PD&I.

Conclusão

Os controladores das multinacionais estrangeiras defendem seus interesses, sejam eles agentes do sistema financeiro em busca do lucro, ou os executivos das estatais para garantir a segurança energética e bons empregos nos seus países. Isso é compreensível, não podemos condena-los por isso.

No entanto, devemos denunciar que são hipócritas aqueles que defendem seus interesses, enquanto dizem que seus propósitos beneficiam a maioria dos brasileiros.

Temos a obrigação de execrar um governo que assume o poder sem votos, com uma agenda política rejeitada nas urnas e antinacional.

Precisamos ainda condenar os executivos que ocupam cargos na administração pública para viabilizar interesses privados, aqueles que vêm e depois voltam, por meio de verdadeiras portas giratórias, entre a administração pública e as corporações privadas. (AEPET, 2017)

Todas as medidas da agenda entreguista precisam ser revogadas, o patrimônio público recuperado e os responsáveis condenados.

* Felipe Coutinho é presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)

 

 

 

Obesidade: uma doença grave e de difícil tratamento Leonardo Salles de Almeida

Atualmente no Brasil, o excesso de peso foi registrado em mais da metade da população, enquanto a obesidade foi constatada em 18,9%, segundo dados do sistema de Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico (Vigitel) do Ministério da Saúde. Um relatório divulgado pela World Obesity Federation revelou que os custos anuais com os problemas de saúde ocasionados pelo excesso de peso subirão de US$ 16,7 bilhões em 2014 para US$ 34 bilhões em 2025.

O relatório aponta que nos próximos oito anos, a estimativa é de gastos de US$ 252 bilhões. Ainda se estima que em 2025 existirão 2,4 bilhões de adultos com sobrepeso e 800 milhões de obesos no mundo.

Com este cenário, os procedimentos bariátricos se tornam opções para o paciente com obesidade, que a partir dos mesmos consegue uma janela terapêutica, ou seja, emagrecer e permanecer magro por um bom tempo, variando de acordo com o modelo cirúrgico ou endoscópico utilizado. Mas será que a cirurgia bariátrica pode ser encarada como um recurso definitivo contra a obesidade?

Acredito que o importante quando se deseja tratar o peso é justamente, não tratar somente o peso, pois esse é apenas um sintoma do problema. Temos que discutir a síndrome da obesidade, debatendo suas causas, que acabam por levar ao ganho de peso. Independente da técnica utilizada para a perda de peso, o fundamental é abordar a obesidade como síndrome que é, abordando seus fatores desencadeantes, com boa psicoterapia, reeducação alimentar, incorporando a atividade física no dia a dia, e aceitando a necessidade da mudança de estilo de vida.

É muito comum, que o paciente procure realizar a cirurgia bariátrica pensando que o procedimento irá resolver seus problemas com o peso e que o mesmo nunca mais vai precisar se preocupar ou fazer nada a respeito. Recentemente, se constatou que alterações hormonais podem contribuir para o reganho de peso, mas sua participação é pequena em vista da relevância de um bom tratamento multidisciplinar. O tratamento para o emagrecimento deve ser iniciado em uma consulta, onde se avalia qual o método ideal para cada paciente, seja pelo método clássico baseado em dieta e atividades físicas; método farmacológico; método endoscópico; ou método cirúrgico.

Os métodos farmacológicos de emagrecimento embora tentadores, pois, aparentemente não são invasivos, podem causar um desequilíbrio bioquímico que dificulta significativamente a fase de estabilização do peso, levando o paciente quase sempre a um efeito sanfona intenso.  O ideal seria que o paciente conseguisse emagrecer somente com o método clássico, com nutrição, e atividades físicas, mas este se mostra ineficiente na prática, tendo quase sempre como resultado final o abandono do tratamento após dois ou três meses.

O ser humano moderno é em geral ansioso e anseia por resultados imediatos. Ao perceber que suas ações não estão surtindo mudanças rápidas, os pacientes costumam abandonar o tratamento. Observo que neste processo, os procedimentos bariátricos e endoscópicos (balão intragástrico e a gastroplastia endoscópica), podem contribuir dando respostas mais palpáveis e impulsionando o tratamento multidisciplinar, que por sua vez irá assegurar a estabilização do peso.

Na maioria dos casos, os pacientes podem ir para casa no mesmo dia de ocorrência destes procedimentos. No entanto, os mesmos devem iniciar a alimentação seguindo uma dieta líquida e leve e ainda seguir orientações de uma equipe multidisciplinar formada por um cirurgião bariátrico, endocrinologista, psiquiatra, psicólogo, nutricionista e preparador físico, para que um novo estilo de vida seja adotado.

É recorrente que pacientes que passaram por procedimentos cirúrgicos e não se preocuparam em fazer um tratamento multidisciplinar adequado, comecem a engordar novamente e tenham a longo prazo, a recidiva da obesidade. Percebo, que é de grande importância que a obesidade seja entendida como uma doença grave e de difícil tratamento, necessitando de controle constante, mesmo em casos em que o paciente opte pelo tratamento cirúrgico.

Leonardo Salles de Almeida, cirurgião bariátrico e diretor do Instituto Mineiro de Obesidade (IMO).

300 ANOS DE BÊNÇÃOS DA MÃE APARECIDA

Margarida Drumond de Assis
O Brasil hoje celebra uma das suas mais importantes datas, a daquela que é reconhecidamente sua padroeira, protetora, a patrona do povo brasileiro: é dia de
Nossa Senhora Aparecida, e a data se reveste de uma beleza ímpar, agora em 2017,porque celebramos os 300 anos de sua aparição a três simples pescadores que, insistentemente, lançavam suas redes sem muita sorte. Era 12 de outubro de 1717.
Porém, mais uma tentativa e na rede surge parte de uma imagem; a rede é novamente lançada e agora aparece a cabeça da imagem na qual eles reconhecem Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Ato seguinte, vêm peixes em abundância, e a barca se torna pequena. Era já o primeiro milagre, dentre os tantos que a Mãe Aparecida traria de seu filho aos necessitados de bênçãos.
Aquele fato inédito, tanto pela aparição da imagem e também pelos peixes que rareavam na época, mexeu com a sensibilidade de Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, três bons pescadores que tinham recebido a incumbência de deixar farta de peixes a mesa do governador de São Paulo e Minas Gerais, Dom Pedro de Almeida Portugal, mais conhecido como Conde de Assumar. Ele voltava de uma visita a Minas e passara por Guaratinguetá, e então exigira fartura na alimentação, o que inquietou a comunidade local. Como fazer, se os peixes rareavam? Porém, a imagem de Maria, que ali aparecia assumindo um aspecto que se tornou único, negra, suja de lama, na rede de homens pobres e trabalhadores, constituiu-se em luz para os três, como tantos de nós hoje a temos, mãe bondosa e cheia de graça. E ela, de barro escuro, um leve sorriso no rosto, atraiu os moradores da região, a maioria mestiços de portugueses, negros e índios, que na verdade já se identificavam com nossa gente.
Já naquele primeiro momento, Nossa Senhora Aparecida se mostrou mãe dos pobres, dos sofredores, dos aflitos, mostrou-se mãe de Misericórdia, devoção que foi crescendo dia a dia. Primeiro foi entre os pescadores que já rezavam ao redor daquela imagem que eles colaram; depois os vizinhos foram se aproximando e também rezavam com eles, e mais e mais... Quem acolheu a imagem em sua rede foi João Alves, mas Filipe Pedroso foi quem ergueu um altar em casa para recebê-la, e ali ficou Nossa senhora Aparecida durante nove anos, mas sem manto, sem coroa. Em seguida Athanázio Pedroso, filho de Filipe, foi quem acolheu a imagem em sua casa, ela ficando em um oratório. Era o ano de 1734, quando o vigário José Alves Vilela colocou a imagem em um local já mais espaçoso, de certa forma já acolhendo melhor os visitantes que ia chegando em maior número. Muito aconteceu, e hoje são milhões de devotos de todo o Brasil que vão a Aparecida: querem agradecer graças alcançadas, também querem, em sua aflição e dores, pedir bênçãos para si e para a família, graças urgentes de que precisam. Mas não é só o povo brasileiro, não. Lembro-me de quando o Papa Bento XVI veio ao Brasil e eu fui a Aparecida, em visita à casa da Mãe Aparecida, o Santuário Nacional. Quanta gente vi, em orações filiais a Nossa Senhora Aparecida! Eram nossos irmãos de países diversos, da América Latina, da Europa e até alguns do continente asiático. Que bênção! Nossa Senhora Aparecida é mãe intercessora e atende a todos que a invocam, que a amam e, confiantes em sua força junto do filho, abandonam-se ao amor materno.
Quem teve a oportunidade de ir a Aparecida, por esses dias, constatou a multidão presente naquela cidade acolhedora e querida que leva o nome da mãe Aparecida, romeiros chegando de todo lugar, muitos até mesmo a pé. E o Santuário, sempre recebendo o belo e zeloso cuidado da Congregação do Santíssimo Redentor, os queridos redentoristas – e aqui nos lembramos saudosos do missionário redentorista Dom Lelis Lara, falecido em dezembro último. A casa da mãe Aparecida é o maior templo mariano do mundo e a ela chegam devotos que se emocionam ao se aproximar da pequenina imagem, ao sentir a imensidão e a beleza do Santuário, ao viverem a espiritualidade que de lá emana.
É nesta fé, que neste dia, a mídia em geral muito divulgará sobre as manifestações de tantos à Virgem de Aparecida. Não faltarão orações em Alvoradas já às cinco horas, com terço, ladainhas e cantos; procissões; coroação; é tempo dos lindos cantos dos 300 anos da aparição; é tempo de vivamente todos participarmos das lindas celebrações neste dia, dirigindo à Mãe Aparecida preces pedindo forças para sabermos enfrentar as vicissitudes que às vezes atropelam os nossos dias; as angústias de tantos brasileiros; mas, acima de tudo, é tempo de agradecer pelo seu Sim de Mãe do Filho de Deus e nossa.

Margarida Drumond é escritora, professora e jornalista e, em Brasília, prepara para novembro próximo o lançamento de seu livro, o romance Doce complicação. Ainda este ano, finaliza a pesquisa para a biografia sobre Padre Abdala, Paróquia São José de Acesita – Timóteo/MG, com pré-edição já acontecendo. Contatos: (61) 99252-5916 Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. www.margaridadrumond.com

Aplausos

 

 

 

MÉDICO HOMENAGEADO

O médico valadarense Márcio Soares Pena e sua Legilda. Ele do Instituto de Nefrologia do Hospital Dom Samaritano, foi homenageado pela  jornalista Sayonara Calhau com o Troféu Aplauso, um das mais conceituadas premiação do calendário empresarial e social de toda a região do Leste Mineiroi e do Vale do Aço. Foi em setembro-29, nos salões do Ilusão Esporte Clube.

 

CEMIG: vendendo a casa para pagar o almoço

Entre os danos estruturais provocados pelo neoliberalismo, nada mais emblemático do que a venda das maiores usinas da CEMIG para multinacionais. Elas representam o pior tipo de capital estrangeiro porque não representam a criação de ativos novos, nem empregos, nem agregam valor ao Pais, mas aumenta a base para remessa de dividendos de um ativo construído por brasileiros com recursos nacionais. E pior, ainda comemoram.andre É uma regressão histórica que poucos países viram acontecer em tempos de paz.

A maior compradora foi uma companhia estatal chinesa. É do sistema chinês importar toda engenharia e equipamentos para suas empresas no exterior vindos da China, também usam suas empresas para empregar chineses ao máximo.

É o pior tipo de comprador para a pior das privatizações que se pode imaginar.

É uma regressão histórica que poucos países viram acontecer em tempos de paz.​

A CEMIG foi fundada por Juscelino Kubitschek que construiu um grande parque hidroelétrico em Minas Gerais, até então Estado carente de energia, suprida que era especialmente por empresas americanas que não investiam no potencial hidroelétrico do Estado.

As usinas, começando por Três Marias, foram construídas com recursos do Estado de Minas Gerais, recursos nacionais, projeto nacional, engenharia nacional, mão de obra nacional.

Agora quatro das maiores usinas da CEMIG, mais de um terço de sua capacidade de geração, são vendidas para fazer caixa para a União, caixa que será queimada em poucos dias para pagar juros e supersalários, os recursos da venda não têm nenhuma destinação estratégica, vão sumir na fogueira do déficit federal continuado, que segue ainda maior em 2018.

Mas o déficit continuará até aumentado no próximo ano, o que será então vendido?

Que tal a Amazônia? Imagine o valor da madeira serrada na floresta. Venda de terras férteis para chineses também seria um bom negócio, faz caixa rápido, ao gosto dos “ajustistas”.

O insano plano econômico tem como objetivo maior manter o valor do capital rentista que consome a maior rubrica do orçamento federal, o pagamento de juros da dívida pública. O plano não tem qualquer meta de investimento público, hoje no seu nível mais baixo na história econômica do Brasil, não se investe nada e nem há ideia de investir, a infraestrutura já feita vai deteriorar, nova não será construída por falta de dinheiro, que só falta na ideologia rentista, governos mais inteligentes sabem fazer dinheiro e investir no País. O Brasil não é um País pobre de recursos como a Grécia, que tem que importar comida e combustível.

O objetivo principal do plano é assegurar inflação cada vez menor para com isso garantir o capital rentista que beneficia as classes mais altas e o capital especulativo estrangeiro.

Para atingir tal objetivo não há espaço para investimentos públicos, que são exatamente aqueles que dariam empregos aos brasileiros de mais baixa renda. Construção de obras de infraestrutura gera empregos na faixa mais crítica do desemprego, aquela onde está a maior crise social de hoje. Investimentos em infraestrutura geram também empregos técnicos na área de engenharia, setor no qual o Brasil já foi campeão mundial em vários setores, como construção de barragens, hoje um deserto de engenheiros desocupados.

O programa econômico não tem nada para o crescimento do Brasil, é apenas um plano de tesouraria, de administração de caixa, de fazer dinheiro para garantir os juros do rentismo.

O plano econômico Meirelles/Goldfajn tem metas definidas, garantir o capital financeiro.

Não tem meta alguma para o emprego, alegando que este virá do investimento privado.

Não há na história econômica saída de recessão sem ação do Estado, mas a ação do Estado não pode existir no atual plano econômico. Ao contrário, as privatizações visam diminuir o papel do Estado na economia, usando o dinheiro das privatizações na fogueira dos juros e dos salários da alta burocracia, em uma operação de curto prazo sem qualquer horizonte.

CUIDANDO DE TRINTA MILHÕES DE BRASILEIROS

Grosso modo, há no Brasil uma classe abonada que, na melhor das hipóteses, chega a 30 milhões de brasileiros e é para essa classe que se faz a atual política econômica.

Qual projeto existe para os outros 170 milhões de brasileiros? Um projeto para esse grupo majoritário simplesmente não existe no atual plano econômico, como se essas pessoas fossem uma nuvem invisível ou um estorvo para a economia.

Na realidade falar em plano é inapropriado, trata-se de algo menor, é um simples programa financeiro para garantir câmbio favorável para o capital voltar protegido de qualquer risco de conversão e garantir câmbio barato para as férias da classe média alta.

Trata-se do primeiro programa na História econômica moderna do Brasil, desde 1930, que não tem qualquer papel para a indústria e para o emprego. O foco único é a garantia do capital e de seus juros, especialmente o capital especulativo de fundos estrangeiros.

Nesse contexto é que se explica a traumática privatização de usinas construídas com capital e trabalho exclusivamente nacionais, vendidas a grupos chineses e europeus, processo que não vai gerar um único quilovate adicional e um único emprego novo.

Na primeira Era das Privatizações no Governo FHC havia um projeto nacional, projeto ruim mas era um projeto com começo, meio e fim, com uma visão de Pais, uma visão neoliberal mas assim mesmo era um projeto nacional de longo prazo com sua lógica interna.

Nas atuais privatizações não há projeto algum, é só fazer caixa, nada mais. A entrada de caixa é imediatamente jogada na fogueira das despesas correntes, sem pensar no dia seguinte.

Ao fim do processo queimou-se o patrimônio físico do País, não se resolveu o desequilíbrio fiscal de forma permanente, no ano seguinte o desequilíbrio continua e já não há mais o que vender porque o estoque de ativos é finito, na primeira Era das Privatizações já se vendeu boa parte do patrimônio nacional, agora trata-se da venda do que sobrou.

A MÍDIA ECONÔMICA

Na mídia econômica da grande imprensa, que no Brasil segue a linha oficial, caso único no mundo, a privatização de usinas prontas e amortizadas apenas para fazer caixa não mereceu qualquer reparo. Ao contrário, o feito foi saudado nessa mídia como prova de confiança no País. Entrega-se patrimônio nacional a chineses e isso é visto como uma vitória.

A sempre onipresente e onisciente Miriam Leitão gastou seu horário do dia seguinte ao leilão para falar de miudezas do PIS-PASEP, não dando nenhuma importância à privatização das usinas da CEMIG, algo que emocionou no sentido de perda a grande parte dos mineiros. Mas Miriam, sendo mineira de Caratinga, não se emocionou e nem tocou no assunto, afinal a linha da GLOBO é a favor do ajustismo na sua última escala. O coro canta unido, Sardenberg, Miriam, Merval, apenas destoa, às vezes Monica de Bolle, que tem luz própria.

LIQUIDAÇÃO DE ATIVOS

Privatizações de ativos importantes e estratégicos estão sendo executadas a toque de caixa para fazer caixa, sem qualquer ideia sequer remota de interesse nacional a longo prazo.

Essa é a consequência de se entregar o controle absoluto da economia do País a delegados do capital financeiro internacional sem nenhuma ligação com um projeto de pais.

Lembra certos diretores financeiros (CFO) de empresas em dificuldades contratados por “headhunters” a peso de ouro que adotam medidas de curtíssimo prazo de geração de caixa, salvam o balanço do ano e seu salário e bônus, mas matam o futuro da empresa.

Há casos clássicos desse tipo de atuação, corta-se toda manutenção, pesquisa, vende-se todo o estoque com grandes descontos, dispensa os funcionários mais experientes e mais caros, vende as melhores máquinas, vende o prédio e passa a pagar aluguel, tudo isso gera caixa no curto prazo mas inviabiliza a empresa no longo prazo.

O caso mais clássico desses “salvadores do caixa” é o de Alfred Dunlap, CEO da fabricante de aparelhos eletrodomésticos SUNBEAM em 1996, apontado como gênio na capa da revista BUSINESS WEEK. Dos 36.000 funcionários reduziu para 10.000, cortou tudo e fez promoções de vendas dando desconto de 50% em grandes magazines. Com isso fez caixa rapidamente mas liquidou com a marca, destruiu a enorme rede de pequenas oficinas distribuidoras que viram as grandes lojas venderem barbeadores por preços abaixo do que eles já tinham pago à fábrica, causando grandes prejuízos a esses pequenos revendedores que abandonaram a marca. Acabou com o estoque de matérias primas, a fábrica não conseguiu mais operar e a marca foi queimada. Dois anos depois da capa da BUSINESS WEEK, Dunlap foi considerado o pior executivo do País, mas no primeiro ano na Sunbeam ele surfou no sucesso, ninguém percebeu o buraco que ele estava cavando para a empresa, mas com grande lucro pessoal.

Os executivos dirigentes do banco de investimentos LEHMAN BROTHERS ganharam bônus no ano em que o banco quebrou. Até a semana anterior à quebra eles pareciam geniais, mas era tudo no curto prazo, para ganhar o trimestre, o depois não interessava.

O leilão das usinas da CEMIG lembra essa feitiçaria do curto prazo, um desastre para empresas e países, vendem a casa para pagar o almoço, no dia seguinte não tem casa e nem almoço.

O AJUSTISMO

Enquanto o “ajustismo” à outrance segue como única política econômica do Ministério da Fazenda, o Banco Central cuida com exclusividade e total independência da política monetária e cambial, não tem meta de emprego, como tem o FED em seus estatutos.

Só estabilizar a moeda, sem nenhum outro compromisso é algo relativamente fácil. O que exige inteligência e capacidade é ESTABILIDADE com PROSPERIDADE, obrigação legal do Banco Central americano, o Federal Reserve System, os dirigentes tem que cumprir esses dois objetivos. Aqui é um só, o mais fácil, acabar com a inflação paralisando o País.

O “ajustismo” marca de forma indelével seu fanatismo ao inviabilizar, por anos à frente, a capacidade do BNDES alavancar o crescimento. Ao retirar todas as reservas do Banco para operar nos próximos anos, o Ministério da Fazenda sinaliza que sua única prioridade é pagar os juros de uma dívida pública estável que não se desvaloriza pela inflação, secular método dos Tesouros nos últimos 200 anos para aliviar seu endividamento, a começar pelo Tesouro americano. Hoje o dólar vale um vigésimo do que valia em 1945 e com isso que o Tesouro dos EUA conta para manter sua solvência. Estabilidade artificial da moeda é um veneno mortal para os Tesouros, tornando sua dívida pública impagável nem que se venda o País inteiro, os fanáticos das metas de inflação preferem matar o País do que aliviar a dívida.

O Ministério da Fazenda saca R$ 280 bilhões do capital do BNDES para jogar na fogueira do déficit público visando proteger os rentistas da dívida pública, seu único objetivo.

O DESEMPREGO

Para mascarar a recessão induzida por essa política dá-se brilho a truques estatísticos, como dizer que o desemprego está caindo, algo irreal à luz da observação empírica.

O IBGE aponta a criação de 658 mil empregos entre maio e agosto deste ano. Empregos criados onde e porque se não há investimento produtivo digno de registro, público ou privado? E, claro que não se criou emprego algum de carteira assinada, isso o próprio IBGE reconhece, então onde estão os “novos” empregos criados pelas trombetas da GLOBONEWS?

O próprio IBGE declara que são empregos informais onde tudo pode entrar, de motoqueiro entregando pizza a guardador de carro. São basicamente subempregos de baixíssima renda.

O grave problema que nenhuma estatística de emprego aponta é uma realidade cruel.

Depois de procurar emprego por dois anos um engenheiro com excelente formação e boa experiência teve que aceitar qualquer coisa, hoje trabalha no almoxarifado de um grande supermercado, seu valor de mercado seria de 20 mil Reais, ganha 3.500, para não morrer de fome. Esse tipo de situação é GERAL hoje na economia brasileira, são dezenas de milhares de bons engenheiros desempregados, acabou a indústria naval, a indústria de bens de capital está paralisada porque não há investimentos, há pouca construção de usinas, portos, estradas e aeroportos, existe então uma imensa reserva de mão de obra técnica desempregada.

Quando um engenheiro vira motorista de UBER e existem centenas nessa situação, o IBGE conta como um novo emprego e a GLOBONEWS festeja com rojão MAS na realidade nua e crua é apenas um infeliz que aceita QUALQUER emprego para não passar forme, ele e sua família, um homem com mulher e filhos para criar faz literalmente qualquer coisa para manter a família, é essa a realidade real da economia brasileira de hoje.

A INSTITUIÇÃO CEMIG

Em Minas Gerais a CEMIG é uma instituição. As usinas vendidas, que representam 36% da geração da CEMIG, não são apenas bens físicos. São parte de uma grande estrutura corporativa, que em 2010 era a 2ª maior empresa de energia do País, após a Petrobras.

Com um excepcional corpo de técnicos, departamentos de pesquisa e ecologia, até um importante setor de piscicultura para prover de peixes seus grandes reservatórios, a CEMIG tem um papel crucial no desenvolvimento de Minas Gerais, liquidar parte de seu melhor ativo é algo inacreditável em termos de projeto de PAIS. Os chineses vão cuidar dos peixes dos reservatórios ou vão só se preocupar com os dividendos? Em 2008 a CEMIG fez um magnifico levantamento do potencial eólico do Estado de Minas, um trabalho de fôlego, de excelência técnica, algo que investidores privados dificilmente fariam, a CEMIG tem uma visão pública, de interesse geral, além do puro negócio financeiro. Seu Conselho de Administração, do qual fiz parte por muitos anos, teve luminares como João Camillo Pena, ex-Ministro da Indústria e Comércio, Francelino Pereira, ex-Governador do Estado, Guy Vilella, um dos maiores especialistas brasileiros em barragens. Uma verdadeira instituição de elevado espirito público operando um negócio empresarial, mas com olhar de interesse público além do balanço.

Vender o coração de seus ativos é um ato contra o interesse público, custa a crer que um Estado Nacional, um dos maiores países do mundo, com capacidade de levantar recursos, com visão de futuro, cometa essa insanidade. Mas fizeram. Agentes do capital financeiro internacional no comando da economia não tem qualquer ligação com o Pais e com suas instituições, a CEMIG é uma instituição, como era a outrora poderosa CESP, empresas emblemáticas, com grandes engenharias, construtoras do País, retalhadas a pedaços.

A China nunca faria isso com suas poderosas estatais de energia, nem a França com a EdF, nem a Itália com a ENEL. São corporações que fazem parte da estrutura óssea do Estado, importantes para a construção do futuro para as novas gerações, para pesquisas e novos empreendimentos, a CEMIG foi pioneira em energia eólica, pesquisa carro elétrico, novas baterias, redes de transmissão de dados através das linhas elétricas, não é só dividendo.

OS ECONOMISTAS DE MERCADO E OS NEOLIBERAIS

Há uma categoria de brasileiros cuja adesão ao pensar neoliberal corrói sua adesão ao Pais onde nasceram e ao qual deveriam ter lealdade. O neoliberal clássico NÃO tem pátria, são apátridas de alma, se sentem bem em qualquer lugar do mundo desde que ligado a grandes corporações, já esqueceram até a bandeira e o hino do pais onde nasceram, sua cultura não tem raiz e ao fim e ao cabo tem uma tênue lealdade a uma ideologia economicista que limita a vida à carreira, ao bem estar pessoal, para esse grupo o País não existe.

Para uma dessas voltas do Destino são essas figuras que hoje dirigem a economia brasileira.

A Avenida Faria Lima e a Rua Dias Ferreira não são parte do Brasil, são enclaves financeiros, paraísos fiscais que vivem como apêndices da finança internacional, para eles o País é só um detalhe.

São esses núcleos que estouram champagne com venda de ativos nacionais a estrangeiros que titulam como “prova de confiança”, dançam em clima de festa sobre os escombros de um projeto nacional, um Brasil usado apenas como plataforma de capital internacional.

Voto de Faxina

*Prof. Gilson Alberto Novaes

Para falar do “voto de faxina” vou acompanhar dois grandes juristas: Luiz Flavio Gomes, que é o criador do Movimento Quero um Brasil Ético e o Dr. Modesto Carvalhosa, que em suas aparições na TV Cultura e pela imprensa escrita também tem se posicionado de forma clara sobre a atual situação política do país.

Como eles, sou um inconformado com nossa política. Vereador por três legislaturas, tendo sido presidente da Câmara em uma delas, secretário municipal em três administrações em minha cidade, candidato a deputado estadual duas vezes num intervalo de vinte anos, sempre acompanhei a vida política. Hoje concluo: não dá mais! Basta! Mas, só o povo poderá dar esse basta. Não podemos correr o risco de começar tudo de novo em 2018, com a mesma corrupção, com os mesmos personagens. Seria o caos! Que Deus nos livre! Então, vamos lá!

Um dos remédios é o “voto de faxina”, que prega a renovação de pelo menos dois terços do Congresso, número equivalente aos envolvidos em corrupção! Simples assim: não votar em personagens envolvidos em corrupção. O correto mesmo seria diminuir o tamanho do Congresso Nacional. Não precisamos de 513 deputados! Até mesmo no Senado, poderíamos ter só dois representantes por Estado. O terceiro senador é um resquício da ditadura, que a Constituição homologou, erroneamente. Essa mudança, porém, só com uma Constituinte.

Outro remédio, apontado pelo Dr. Carvalhosa é acabar com o profissionalismo político no Brasil, com eleições livres para votar e ser votado. Candidaturas livres! Ele também defende o “voto de faxina”, pois sem mandato, os corruptos perdem o foro privilegiado. Não só no Congresso, mas nas Assembleias Legislativas e nos municípios temos os profissionais da política!

Precisamos passar o Brasil a limpo, urgente. Não podemos mais ter uma Suprema Corte com seus integrantes indicados politicamente. Tem sido comum a confusão de política com Justiça.

Não podemos mais votar num deputado e eleger outro! Não podemos mais ver o dinheiro público jogado nas mãos dos partidos políticos. O Fundo Partidário - outra invenção da ditadura – mais de 800 milhões por ano, caiu bem no gosto dos políticos. Os “donos” dos partidos gostam desse dinheiro fácil, até em anos que não se tem eleição. Agora, acabam de criar mais um Fundo Eleitoral: R$ 1,7 bilhão para 2018.

Só agora os deputados e senadores lembraram que não poderão mais receber dinheiro de pessoas jurídicas e votaram na madrugada esse um bilhão e setecentos milhões para suas campanhas do ano que vem. Esse valor, somado ao Fundo Partidário, dará dois bilhões e meio. É dinheiro do nosso imposto sustentando os políticos. Uma vergonha.

No combate à corrupção, a Polícia Federal está fazendo sua parte: já aplicou penas que somadas, passam de mil anos. Por outro lado, o Supremo só recebeu seis denúncias até agora. Só o voto do povo poderá ajudar a Lava Jato a eliminar da vida pública brasileira aqueles que, sem escrúpulos, tanto roubaram nosso país durante tanto tempo.

Estamos vendo diariamente notícias de que a corrupção que vemos hoje é a maior da história. É mesmo, pois nos últimos 20 anos o nosso PIB - Produto Interno Bruto cresceu muito. Hoje é da ordem de R$ 6 trilhões. O triste é que em paralelo, a corrupção o acompanhou. Nunca se viu no mundo roubarem tanto... nunca se viu tanta impunidade!

O jurista Luiz Flávio afirma em entrevista ao Correio Popular de Campinas que o Supremo é um sistema antigo, e que o juiz Sérgio Moro adotou o sistema novo, o norte americano, onde é delação, cooperação, colaboração e quem delata traz provas, agilizando o processo. Diz ainda que “o Supremo continua no velho sistemão, que é o modelo francês. Lá não tem delação, eles não tomam a iniciativa de fazer isso e deveriam. É moroso, não anda e a impunidade é certa”.

Finalizo, fazendo coro com o Dr. Luiz Flávio, dizendo que o Supremo é hoje um entrave no combate à corrupção, “porque as questões políticas mais importantes foram todas para o Supremo. Judicializaram tudo”.

Além do voto de faxina, há necessidade de se mudar a forma de composição do STF, acabando com a indicação do presidente da República. O problema está aí: com esse Congresso, jamais isso será feito! Está na hora de uma Assembleia Nacional Constituinte específica, onde os eleitos voltem para casa, após a promulgação da Constituição!

Por enquanto... voto de faxina neles em 2018!!!

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*Gilson Alberto Novaes é Professor de Direito Eleitoral na Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie-campus Campinas e Coordenador Acadêmico do Centro de Ciências e Tecnologia.

Exercício físico na gravidez: faz bem ou não?

Algumas famosas incitam debates por malhar durante a gravidez. Pode ou não pode? Especialistas desmistificam o assunto e explicam como deve ser a atividade física neste período

Há alguns anos, reinava aquele senso comum de que mulher grávida deveria ficar em repouso absoluto. Hoje em dia, sabe-se que não é bem assim. Para aquelas mulheres que a gestação é completamente saudável, a atividade física pode ser indicada durante todo o período da gravidez, desde que seja liberada por um médico e acompanhada de um profissional da educação física. Os exercícios nesta fase gestacional trazem benefícios à saúde da mulher que podem, inclusive, ajudar no momento do parto.

Além de auxiliar a futura mamãe a controlar o peso, diminuir o inchaço dos pés e pernas e as dores nas costas, os exercícios melhoram a respiração, pressão e tonificam a musculatura, principalmente dos quadris. “Se antes da gravidez a mulher não era acostumada a fazer exercícios, o ideal é começar com um bem levinho para o corpo não estranhar. Mas se ela já é acostumada, recomendamos apenas que ela reduza a intensidade aos poucos, porém não pare por completo, já que o seu corpo ‘necessita’ daquela atividade”, explica Frederico Kempler, professor de educação física e coordenador da academia Turner Prime.

A jornalista e digital influencer Patrícia Gonçalves, esposa do jogador Dedé, do Cruzeiro, conta que continuou os treinos até o quinto mês da sua gestação, após esse período ela optou por fazer aulas de pilates. "A atividade me ajudou a não sentir dores no corpo, não inchar muito e nem reter líquidos", conta. Ela diz que as recomendações do seu médico foram manter-se bem hidratada, usar roupas leves e frescas e manter a alimentação balanceada.

De acordo com Frederico, quando ‘vigiada’ por um profissional de perto, o risco de acontecer algum problema durante a atividade é mínimo. “Por ser um momento que requer atenção redobrada, qualquer cuidado é pouco. Exercícios que levam à exaustão, aparelhos que necessitam de muito peso ou que faça a mulher ficar muito tempo em pé, devem ser evitados ou substituídos nos treinos por outros mais brandos”, diz.

Do ponto de vista médico, a ginecologista e obstetra da Clínica Penchel, Dra. Talitha Melo, informa que a atividade física tem vários benefícios no pré-natal como a redução do risco de pré-eclâmpsia e controle de ganho de peso, evitando a obesidade gestacional. O exercício ainda atua na prevenção da diabetes gestacional, assim como contribui para o controle glicêmico em gestantes que já são diabéticas. Desta forma, há melhora no índice de peso e vitalidade do recém-nascido. Ademais, o fortalecimento muscular da região pélvica da grávida lhe garante maior autonomia durante o trabalho de parto, ajudando na recuperação imediata após o nascimento do bebê e diminuindo o risco de depressão pós-parto.

“Eu oriento minhas gestantes a identificar qual atividade física faz com que ela se sinta mais confortável. Atividades aeróbicas como caminhadas ou dança ou atividades de força como pilates ou musculação são ótimas opções. Mas atenção: durante a gravidez ocorre um aumento da produção do hormônio relaxina. Essa substância deixa as articulações mais frouxas e pode aumentar o risco de lesões e torções. Portanto o acompanhamento profissional é fundamental para evitar traumas”, conta a médica. Ela ressalta que as únicas contraindicações da prática de atividade física são para gestantes com problemas cardíacos, sangramento vaginal, placenta baixa, trabalho de parto prematuro e hipertensão arterial não compensada. “A prática de exercícios promove inúmeros benefícios e deve ser sempre estimulada a fim de melhorar a qualidade de vida de mãe e bebê”, finaliza.

SEMPRE CRIANÇAS

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 37 anos de literatura neste ano de 2017. Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br – http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Em artigo quase recente, eu dizia, em falando de filhos, netos, de crianças, enfim, que uma casa com crianças é mais lar. Uma amiga, também escritora, leu o artigo e comentou que não concordava. Ela acha que uma casa sem crianças pode, sim, ser um lar completo. Eu acho ótimo que o tema abordado seja debatido, porque nossas verdades são diferentes, a verdade de um não é necessariamente a verdade do outro e comparar nossas verdades é bom.

Então eu concordo, até porque as situações são diferentes. Os filhos da minha amiga transitam pela casa dela com certa frequencia, o neto também vem lhe visitar, e isso faz toda a diferença, o lar contiua não sendo só dela. É da família.

É bom esclarecer que o fato de não termos mais nossas crianças vivendo em nossa casa não nos faz pessoas trites, absolutamente. Somos felizes, mesmo na nossa casa tão grande, agora. O que nos faz falta talvez não seja, simplesmente, a presença de crianças, mas das nossas crianças.

A verdade é que, queiramos ou não, a época mais feliz de nossas vidas foi aquela quando  vivemos a infância e a juventude de nossas crianças. Sentimos falta daquele tempo, sentimos falta da infância das nossas crianças, que continuam sendo crianças para nós, mesmo que agora sejam adultas e vivam suas vidas bem longe, além mar, em França e Portugal. Depois dessas infâncias em nossas vidas, nós, eu e Stela, não nos somos mais suficientes, pois tudo nos faz lembrar que a família não está completa, as crianças não estão, por isso a casa parece tão grande. Mas esperamos os netos. Eles hão de nos devolver toda aquela infância e toda aquela juventude que alçaram voo de nossa casa para encontrarem seus caminhos e nos deixaram tanta saudade.

Mas ter saudades é bom. Saudade significa felicidade, uma ou duas ou tantas felicidades que passaram pela nossa vida e que podemos recriar. O privilégio de ter nossas crianças significa isso, além de tudo o mais que eles significam para nós: felicidades que estão guardadas e que podemos rememorar.

Então, crianças, feliz dia da criança para vocês. Feliz dia da Criança para nós. Para todos nós, pois o fato de ter nossas crianças é tudo. E criança pode ser tudo o que quisermos e até o que não quisermos, mas que ela significa felicidade, isso não podemos negar. Porque criança é vida, é esperança, é renascimento. Criança é  a nossa primavera.

Na verdade, poderíamos, sim, ser pais deprimidos e tristes, pois temos uma saudade vitalícia, antiga, de nossa primeira criança que chegou, mas foi embora muito rapidamente, num dia de outubro em que as flores de jacatirão começaram a desabrochar, há muitas primaveras. Mas a vida continuou e sabemos que nosso anjo primeiro nos guardou e ajudou-nos a cuidar de nossas crianças que chegaram depois e que nos dão muito amor, muito orgulho, estando já na vida adulta, ainda que para nós sejam apenas e principalmente, abençoadamente, nossas crianças.

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